As urnas eletrônicas deram um recado que os institutos de pesquisa precisam levar a sério: a opinião do eleitorado nem sempre se traduz nos números apresentados pelos levantamentos. O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com um resultado diferente daquele projetado pela maioria das pesquisas divulgadas nos últimos dias de campanha, expondo uma dificuldade que se repete no debate eleitoral brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado contrariou a tendência predominante nas pesquisas de intenção de voto, que, na reta final, apontavam vantagem para Flávio.
O levantamento CNT/MDA, divulgado em 24 de outubro, por exemplo, estimava 50,7% dos votos válidos para Flávio e 49,3% para Lula. Já a pesquisa RealTime Big Data, divulgada em 23 de outubro, indicava 52% para o senador e 48% para o presidente. Nas urnas, porém, Lula terminou a disputa com uma vantagem de 3,58 pontos percentuais.
O primeiro turno já havia apresentado sinais de divergência entre as pesquisas e as urnas. Na votação de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Embora alguns institutos tenham apresentado estimativas próximas do resultado oficial, outros divergiram nos percentuais e até na identificação do candidato que terminaria na liderança. O cenário demonstrou que as dificuldades de medição já estavam presentes desde a primeira etapa da eleição, reforçando a necessidade de avaliar a precisão dos levantamentos e a metodologia utilizada por cada instituto.
Os números mostram que a diferença não ficou restrita a um único instituto. Levantamentos que apresentavam metodologias e estruturas de coleta distintas convergiram, em sua maioria, para uma direção que não se confirmou na apuração oficial.
Segundo levantamento comparativo publicado após a votação, oito das nove pesquisas nacionais divulgadas na semana do segundo turno indicavam vitória de Flávio Bolsonaro. Apenas a Vox Radar apontava a reeleição de Lula. O resultado final, portanto, impõe uma pergunta inevitável: como tantos levantamentos chegaram a conclusões semelhantes e, ao mesmo tempo, divergiram do resultado das urnas?